OS SENTIDOS E A SEMENTE – Uma fábula do tempo

Vai-se, forçadamente…

…esvaindo-se o perfume da memória (‘inda que possa ser sentido com o fechar dos olhos);

…apagando-se a imagem forte, sensível, simples da flor na tela do sertão (‘inda que possa ser ouvida como o vento passando por entre as folhas da alma);

…tornando-se distante o som de um riso feito de lua crescente de marfim (‘inda que possa ser sentido pelo toque no tempo);

E para que não precise inverter a função dos sentidos (fechar os olhos para sentir o cheiro que se vai; não precise ouvir a imagem que se apaga ou tocar o tempo para ouvir o riso que se distancia), simplesmente, giro o dial até encontrar uma daquelas estações que ficou gravada na memória do rádio do carro.

Assim, também não preciso voltar no tempo. Ao invés, levo o passado – suspenso – até o futuro, segurando-o pelas mãos, num giro, até levá-lo de volta ao tempo atrás. Fico no centro, como o eixo do ponteiro de um relógio, no presente, girando com ele, em volta de mim, leve, risonho, feliz, até que a tontura nos funda em um só momento, que não é nem passado, nem presente, nem futuro, mas a amálgama disso tudo: apenas como uma vertigem, que nos derruba no chão, com os sentidos misturados…como uma semente carregando o futuro dentro da fruta que carrega o passado…

tempo

(O Homem sem-tempo)

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