120 DIAS ETERNAMENTE DESERTOS

Foi então que vi tua mão,

que nunca em mim tocara

mas eternamente me acariciara,

Desvanecer-se num adeus.

Sempre em silêncio,

como morrem os pássaros

e as nuvens,

Tu me deixaste.

E –  só – restou

O beijo não dado,

Mas intensamente sentido.

O som do gemido da carne

(não tocada, mas eviscerada como se o fora)

gemido proibido,

secreto,

Léguas distante do ouvido.

E – só – restou

uma interrogação

covarde,

solitária,

que tanto tento espichar

na esperança de que se transforme

numa bela exclamação!

Mas também poderá ter sido

U’a exclamação que – só – restou,

E que

no chão seco do sertão

ao morrer se encolheu

e se tornou interrogação.

Como castigo injusto e sem defesa

Como pergunta que morre e não se cala

Como boca que engole a fala

Como silêncio que desvanece o adeus

Foi tudo esse nada, decerto, que ficou!

Foi tudo esse deserto que – só – ficou!

(Erasmo Adelino. In: Eu monologo, tu apenas escutas, nós não dialogamos: a conjugação criptografada dos sentimentos proibidos!)

Setembro.

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