Flor do Sertão

Eu,

– chão seco,

donde tu,

Flor do Sertão,

inexplicavelmente brotas -,

sinto-a

meu peito esturricado a rasgar,

sem licença pedires.

Não temes os cactos?

Nem as palmas do sertão?

As pedras?

Os caprinos famintos?

Nada dentro dessa caatinga?

Então assim,

sem água,

sem sombra,

frágil,

bela

e agreste,

encanta-me

e fértil me faz,

feito adubo que

de dentro pra fora vem!

E já dessa forma,

em meu peito incrustada,

não posso permitir

que os cactos

nem as palmas do sertão;

tampouco as pedras

ou os caprinos

machuquem-na

(e nem mesmo eu,

chão antes ressequido,

porque, escolhido fui

para ver e sentir

em mim

teu desabrochar)

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