Saga de um amante virtual – I

Não posso aspirar ao teu corpo, pois esse (por opção e/ou convenção) não te pertence.
Mas posso desejar teu cheiro, que se desprende de cada movimento teu, de teus cabelos, e que não se contém nas raias da convencionada propriedade alheia;
e posso desejar teu gozo, que flui do corpo que não te pertence; que corre como rio que não pertence ao leito. Posso desejá-lo, porque, exclusivamente, teu.

Também não posso esperar por tua boca, que, pelos mesmos motivos, também não te pertence.
Todavia, posso esperar por teu beijo – que é exclusivamente teu – e que não pode ser aprisionado como passarinho na gaiola;
e posso ansiar por teu sorriso – integralmente teu –, que embora dependa do desenho dos teus lábios e de teus dentes, deles se desprende, como o brilho se desprende do sol e da lua e chega até a mim.

Enfim, não posso roubar-te a carne comprometida,
porém posso furtar-te a essência livre, bela e rebelde.

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