Watchmen: humano…monstruosamente humano!

Meu amigo Wilton Bernardo – figura que consegue fazer um trabalho sério em HQ’s aqui na terra onde o sol nasce para todos, mas a sombra somente prá quem faz Axé e para os animadores de pererecas (“prá frente…prá trás”) – me chamou para a pré-estréia de Watchmen. Inicialmente, quase que declinava do convite porque, entre outras razões, desconhecia a estória original e imaginava o quanto teria dificuldades para  entender o filme. Mas, como nem sempre a coerência e a comodidade da velhice são suficientes para evitar surtos de adolescência, na noite especial lá estava eu entre aficcionados que discutiam sobre a trama e seus personagens. Conforme lições de minha mãe querida, quando a gente não sabe o que dizer melhor é ficar calado. E assim fiz eu, como bom filho. Por ali fiquei, ouvindo os relatos empolgados daquela gente que me fazia sentir como se eu fosse de outro mundo. Só não cheguei à essa conclusão definitivamente porque avistei um político daqui de nossa terrinha e deduzi que somente por esse mundinho devemos ter representantes de raça tão marcante. O filme começou e eu devo ter levado uns vinte a trinta minutos completamente perdido, enquanto meus vizinhos atingiam verdadeiros orgasmos diante das cenas que ainda não me faziam sentido. Mas a arte – e a sétima arte em particular – tem o condão de adestrar até os mais rudes seres, como eu, e, ainda que não os faça atingir orgasmos como os iniciados, possibilita-lhes sentir um mínimo de emoção, fazendo-lhes ingressar na atmosfera dos privilegiados. Foi assim que fui me sentindo, aos poucos, enquanto as imagens e sons iam arrebentando a casca de minha ignorância acerca da obra. Aos poucos, fui compreendendo os suspiros e até as lágrimas de gente que esperara dez ou mais anos para assistir à versão cinematográfica de uma história em quadrinhos que mudara a história dos quadrinhos. Confesso que senti minha humanidade tocada por aqueles personagens nascidos da ficção. A construção psicológica daquelas criaturas convence a tal ponto que a arte parece estar imitando a vida. Há cenas que, paradoxalmente, são de uma bestialidade que só os humanos podem conceber e cometer. As angústias, as dores de uma raça que se julga superior, mas que sequer consegue administrar seus problemas domésticos, emergem lodosamente de um lago de violências e conflitos, com toda visceralidade (pode ser chocante ver o “Comediante” assassinar com um tiro à queima-roupa uma vietnamita a quem engravidara durante a Guerra, porque ela lhe ferira e exigia que ele assumisse a criança que estava no ventre. Mas o choque parece decorrer da avaliação que intimamente cada um faz ao vir a mulher tombar assassinada por um homem que estava a comemorar “a vitória” de sua pátria sobre outra: a paradoxalidade humana medonhamente colocada sem máscaras em uma criatura de ficção…”será que um ser humano de verdade faria aquilo?” – deve ter perguntado, silenciosamente, a consciência de cada um dos que ali estavam. E a resposta veio através do próprio “Comediante” após ser  interpelado/censurado pelo Dr Manhattan (o único dotado de super-poderes)…

(continua…)

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3 Responses to “Watchmen: humano…monstruosamente humano!”


  1. 1 WinHome-JefersonJS 11/03/2009 às 14:48

    Ainda não assistir o filme nem li os quadrinhos. Mas to com vontade.
    Gostei da sua interpretação do jeito que fala de uma simples ida para o cinema ver Watchmen.
    Abraço. Continue assim!

  2. 2 erasmoadelino 12/03/2009 às 00:12

    “Gentil gentileza!”. Você sempre dando uma força inteligente aos recém-chegados! Um grande abraço! Ah! pelo-amor-de-Deus! Me ajuda a dar movimento a este meu blog. Não posso nem dizer que tá com cara de Múmia Paralítica porque nem cara tem! Tá parecendo uma homilia, uma prelação só de blá-blá-blá! Eu quero movimento, imagens, sons…eu quero mais que navegar! Abração, Jeferson!

  3. 3 WinHome-JefersonJS 20/03/2009 às 17:03

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