Um eterno abraço de vinte segundos! (Crônicas de um causídico – I)

Resolvi tomar um cafezinho no shopping, enquanto aguardava o horário de um compromisso.

Um inquieto garoto movimentava-se de um lado para outro na praça de alimentação. Devia ter por volta de seus sete anos e, de tão agitado, ele próprio reconheceu para a mãe e a avó: “Eu não sei ficar parado!”.

Verdade instantânea ou de longo prazo, o fato é que – naquele momento – era uma verdade.

Percebi que aguardavam alguém e continuei a tomar meu cafezinho no copo de papel.

Abri o notebook. Os argumentos para utilizar contra uma questionável decisão judicial ansiavam para irem ao papel. Pareciam o agitado garoto. Podia aproveitar aquele intervalo no tempo. Mas, espera, como, assim, papel? Escrevo virtualmente, não sei se sobre ou dentro de uma página de um editor de texto. Ah! Como deviam ser felizes os escritores de outrora, que podiam materializar seus sentimentos. Podiam dizer – e era verdade – que estavam a colocar suas ideias e emoções “no papel”. Ora, paciência, não sou escritor. Apenas brinco de soltar os pensamentos que se debatem feito pássaros silvestres em gaiolas.

Mas eis que um grito infantil me tira dessa “dúvida existencial”. Era o garoto inquieto a gritar, ainda mais agitado, “Olha, mãe! Olha, mãe!”, enquanto apontava para uma jovem senhora que chegava acompanhada de um garoto, aparentemente da mesma idade que a dele.

Sim, era um encontro. Compreendi que era seu aguardado encontro.

E, num gesto largo de abraço eterno o garoto foi encontrar o seu amiguinho, enquanto soltava pequenas expressões de alegria.
Chamou o outro ao peito, como um velho e saudoso amigo. Era tanta emoção que até o recém-chegado ficou, de início, meio encabulado. Ainda não sabia o que fazer dentro daquele espaço tão largo e apertado ao mesmo tempo, tão espontâneo e sincero.

Nem precisou aquele empurrãozinho das mães: “Vai falar com seu amiguinho, vai!”.

Não. Não precisava de etiqueta, de demonstrar educação. A emoção falava por si. Ou melhor: gritava por si.
E era tanta, que o recém-chegado, acabou sendo contagiado por ela e retribuiu, finalmente, àquele abraço. Abraço eterno de pouco menos de vinte segundos. Abraço sincero de acolher no peito – peito magrinho, mas oceânico – alguém querido. E, de mãos dadas, começaram a pular enquanto conversavam.

Então, por alguns minutos, esqueci que tinha algo para escrever àquele insensível magistrado.

Queria filmar, fotografar aquele momento. Mas, certamente, estaria a violar não apenas a lei, mas algo muito, muito mais importante que ela. Estaria a violar o espaço sobre o qual nenhuma lei – justa ou injusta – tem poder: o espaço de um abraço amigo!

Escrever sobre aquele momento era só o que me restava, na tentativa de eternizá-lo.

Queria colocar isso numa galeria para, quem sabe um dia, se aquelas duas crianças continuassem amigas – ou mesmo nunca mais se vissem – pudessem reencontrar aquele momento único vivido na praça de alimentação de um shopping.

Mas, o espírito humano tem suas próprias galerias, nas quais a vida vai guardando suas lembranças.

Talvez, a lembrança de um “grande encontro” fique eternamente registrada numa dessas belas galerias da alma. Aquele encontro de “dois velhos amigos”, que demorou cinco eternos minutos para acontecer e que foi comemorado por um abraço também eterno em seus plenos menos de vinte segundos, fica em alguma galeria na alma.

Nem que seja essa, a minha…

O que eu tinha mesmo a escrever naquela petição?

Talvez, isto:

“Excelentíssimo senhor doutor magistrado, a vida está mais para um belo, curto e eterno abraço que para uma longa interpretação dissociada da realidade social. Abrace essa ideia! Termos em que pede deferimento”.

(É óbvio que, com isso, teria eliminado qualquer possibilidade favorável à minha cliente. Não sou (tão) louco! E, apenas por essa razão, não posso externar minha sincera emoção nas linhas de uma petição…ah! que “inveja” daquele encontro!).

Erasmo
Salvador-BA
16/06/2018

EU NO CAFE

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UMA GRANDE VITÓRIA COMEMORADA EM SILÊNCIO!

Olhamos, então, para a foto dela se espalhando pelos lugares, assim como seu belo sorriso se espalha em seu rosto. E uma alegria que transborda em lágrimas, faz-nos parar o que estamos fazendo para olhá-lo! É preciso tocá-lo! Ou não: apenas vê-lo! Não, não: talvez apenas senti-lo.

Parece que tudo não passou de um pesadelo! Um terrível e real pesadelo!

Um sonho ruim que pareceu acontecer nas trevas. Lá, para onde algumas mentes são levadas, às vezes tão rapidamente, num sopro, às vezes, lentamente, como uma brisa. Lá, onde há outra (outras) realidade(s) que desconhecemos, como um imenso vulcão em semi-atividade, a nos fazer insones por noites e dias, sem saber o que virá – se virá e como virá – o próximo momento.

E quanta madrugada trouxe o dia sem que se soubesse quando um se tornou o outro, porque o toque do telefone, as mensagens pelo whatsapp, ou, simplesmente o medo do desconhecido, não nos permitia enxergar qualquer outra coisa?

Do sorriso singelo a um desenho medonho e sarcástico de lábios; da fragilidade de uma menina à indomável força de uma fera desconhecida que parece habitar esse lugar misterioso. Dali, de onde um olhar meigo se torna algo confuso, lancinante, cheio de dor e fúria, ou de inexplicável silêncio de um ser aparentemente indefeso amarrado dentro de ambulância a cruzar as ruas durante a madrugada, com suas luzes vermelhas de espaçonave carregando extraterrestre.

Um extraterrestre que some entre as pessoas de uma avenida movimentada, absorto em seu mundo, caminhando sem destino, olhando para o nada e para o tudo, sem conseguir distinguir um do outro. Mas, ainda assim, esperto, a perceber seus caçadores e a confundi-los com incomparável destreza.

Sim. Foi um pesadelo coletivo, que nos arrebatou acordados, querendo nos arrebatar para o mesmo lugar, a todos.

Uma força estranha de dor e de ódio a expulsar cada um que tentasse se aproximar para ajudar, como a querer matar de solidão com tamanha rejeição…haja dor dilacerante de pintos rejeitados num mundo cercado de raposas!

Mas eis que do desespero de tanta dor, foi brotando uma flor de esperança que nem aquelas que vivem meses no sertão sem morrer. E depois outra. Depois outra. E outra. E aquela secura mortal foi virando um jardim. Daqui e de acolá, dos confins da Terra, as gotas de esperança vieram nos bicos dos beija-flores do Criador e foram molhando aquele chão rachado de sofrimento coletivo, caindo silenciosamente, anonimamente, em forma de preces, em forma de mãos em concha, abençoadas de ciência e de fé…

…Habitantes das estrelas e da Terra formaram uma imensa corrente, lançando mão de todas as tecnologias, interligados por uma força maior que qualquer dor, que qualquer sofrimento, que qualquer violência, que qualquer desafio: a força inabalável da fé, independentemente de como se creia que ela se manifeste: na competência do operador humano designado para o trabalho material; na Inteligência e Compaixão Divinas; na capacidade divina-humana da superação; em Algo que não se vê, mas que se sabe que existe; em algo que não apenas se acredita, mas que se sabe, com todas as células, com todo o espírito, com todo o ser que, como o mais arrebatador dos sonhos, que é possível…

…até que imensas e fortes ramagens se formaram e adentraram aquele vale assustador para resgatar a mente, o corpo e o espírito daquela frágil, mas amada criatura, e de lá só voltaram, vitoriosas, trazendo a nossa Vitória.

Foi assim que o Milagre da Cura se operou!

Porque a vida não é apenas uma combinação de órgãos funcionando em forma de sistema. Mas é a combinação de tudo isso com um toque a ser decifrado em seus mistérios, como um imenso sorriso do Universo, que de tão imenso só consegue ser visto nas pequenas coisas…

…como o sorriso de uma menina que voltou das entranhas do nada…

…como uma lágrima de felicidade, que não se contenta em morrer na fonte, e precisa derramar-se pelos sulcos da pele cansada de cada guerreiro…

…como a voz da menina, que já pode projetar-se, livremente, sem os grilhões embargantes das dosagens pesadas da medicação, podendo dizer “Vitinho, hora de tomar banho!”…

…como o olhar presente de quem voltou, vitoriosa Vitória, da terra do imenso tudo-nada!

E eis que nada disso lhe pode ser dito em palavras, talvez, não sei.

E eis que, talvez, tudo isso seja dito, não sei, ao tocá-la, ao abraçá-la e beijá-la sem o medo e a dor de ser rejeitados.

E eis que, talvez, tudo isso não precise ser dito. Porque tudo isso dito é nada, diante disso tudo que nos faz explodir em alegria.

Obrigado a todas e a todos – que mesmo não comungando dos mesmos credos, que mesmo  não habitando a mesma Terra ou as mesmas Estrelas – se juntaram nesse resgate, que agora, de tamanha v(V)itória, comemoramos silenciosamente!

Obrigado, Senhor Jesus Cristo! (sabes que essa pequena multidão Te tocou dentro da grande multidão!).

(assim como essa comemoração ocorre em silêncio, para que não a perturbemos com a notícia de tantos eventos, assim agradeço, silenciosamente, a tantos os nomes que não poderei aqui citar, mas que, certamente, sentir-se-ão abraçados por esse imenso agradecimento)

Salvador-BA.

Outono/2017

 

Erasmo, um filho

 

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CARTAS DE UM ASTRONAUTA – II

 

02:30. Madrugada no Planeta Terra. Posso vê-la daqui de onde não existe tempo (ou, pelo menos, não assim, dividido em medidas). Aqui é a eternidade. E seu misterioso, assombroso e belo silêncio.

Daqui também posso vê-la: Sorriso!

Não. Minto. Não posso vê-la. Apenas, posso senti-la. Ver é uma limitação dos humanos (assim como ouvir).

Sinto minha matéria mudar de frequência. Transpiro. Engraçadas essas emoções humanas: tão…tão…primitivas! E tão…tão…interessantes!

Logo em breve, um novo astronauta desembarca nesse plano – engraçado plano!

Há certa confusão no Planeta dos Seres Azuis. Houve uma transgressão das regras. Dois viajantes usaram, lá na Terra, do poder que só lhes era permitido usar num tempo futuro.

Mas não podem ser castigados, pois fizeram-no no Planeta das Escolhas.

E esse novo astronauta carrega a história dessa (bela) transgressão!

***

Uma luz azulada atravessa a escuridão da Eternidade.

Em sua cápsula do tempo, ele se aproxima…posso senti-lo…como se sente a chegada de um…

CRIANDO COM EMOÇÃO – um sorriso impublicável!

Compreenda que a realidade é o sonho.

Ou seja: aquilo que você, agora, pode tocar, cheirar, ouvir, sentir, ver, nada mais é do que o resultado daquilo que você criou – primeiramente – em sua mente.

Compreender isso é mágico!

É a mudança radical de todo um paradigma: o real é o sonho….o físico é apenas o resultado desse sonho!

Então, sonhe!

Eu sonho, recrio o meu sonho!

Coloque emoção no seu sonho.

Eu tenho muitos sonhos. E eu imagino um belo sorriso de marfim me congratulando por tê-los realizado.

É como uma prece. Só que uma prece na qual eu peço, acredito que tenho o que peço, vejo-me recebendo o que peço e sinto-me banhado pela luz do sorriso dessa imensa estrela que – um dia (quanto mede um dia?!) – pôs-se entre um agora e vários depois…uma cortina suavemente perfumada, que se abriu diante de mim e eu pude ver, não no futuro, mas no agora, um mundo de possibilidades.

E todos os dias quando faço esse exercício de prece e gratidão, imagino que esse sorriso é um prêmio que me deu o Criador (quanta pretensão…rsrsrs) como um amuleto mágico, que não preciso tocar para sentir; que não preciso abrir os olhos para saber que está ali à minha frente; que só preciso imaginá-lo, porque ele uma realidade em algum ponto desse Universo…inclusive aqui, agora, preenchendo tudo em volta de mim.

E eu agradeço ao Criador, ao Universo por tudo isso!

12.fev/2016

DECLARAÇÃO INDIVIDUAL DOS DIREITOS HUMANOS

 

Art. 1º

Todo indivíduo capaz é livre para fazer escolhas para sua própria vida, independentemente das circunstâncias em que se encontre.

 

Art. 2º

Todo indivíduo tem o direito de aceitar as imposições e os determinismos sociais como também o de se rebelar contra eles e ser o dono do seu próprio destino.

 

Art. 3º

Todo indivíduo tem o direito de responsabilizar o “sistema” e a sociedade pelos seus fracassos, bem como o de postar-se diante de um espelho e receber uma resposta sincera acerca de quem é a responsabilidade pelo seu sucesso (ou pelo seu fracasso).

 

Art. 4º

Todo indivíduo é livre para se declarar incapaz, vítima da sociedade, de sua cor, de sua origem social e outras situações que considerar como razões de seu estado atual. Mas também é livre para declarar sua plenitude em fazer escolhas e de mover-se em direção ao seu estado desejado.

 

Art. 5º

É livre para escolher seus governantes. E livre para destituí-los. Livre para ser sadio, próspero e feliz. Livre para viver uma vida medíocre e sem perspectivas. Livre para fazer de sua vida uma merda. Ou livre para fazê-la de adubo fértil para sua felicidade e para a dos outros.

 

Art. 6º

Todo indivíduo é livre para não permitir que outros o façam infeliz.

 

Art. 7º

Todo indivíduo é livre para rasgar essa Declaração, para utilizá-la como papel higiênico ou para carregá-la consigo como um passaporte para transpor quaisquer fronteiras.

 

Art. 8º

Todo indivíduo é livre para decidir entre ser um mero coadjuvante ou o protagonista na história de sua própria vida.

 

Art. 9º

Todo indivíduo é livre para encontrar ou definir um propósito para sua vida.

 

Art. 10º

É livre para dizer que esta Declaração só serve para quem nasceu em berço de ouro, com essa ou aquela cor, dentro dessa ou daquela classe social. E livre para adotá-la como inerente a uma única condição: a de ser humano.

 

Art. 11º

 

As disposições desta Declaração não se aplicam integralmente àqueles que – por razões de guerra e outros conflitos, patologias limitativas e outras situações – estejam tolhidos do exercício das liberdades. Ainda assim, mesmo em casos extremos, fica facultado ao indivíduo encontrar um propósito para sua vida.

 

Erasmo Adelino Ferreira Filho (Coach)

Em um ponto da experiência humana no Planeta Terra, madrugada de 30 de dezembro de 2015 (e sob os protestos do “Pequeno Comitê de Merda(*)”[1], destituído por ato de minha própria lavra).

 

[1] Expressão de autoria da neuroanatomista, Dra. Jill Bolte Taylor, adotado e difundido no Brasil pela Coach Paula Abreu.

CARTAS DE UM ASTRONAUTA – I

Depois que ela resolveu voltar à Terra, fiquei sozinho no espaço. E eu precisava sobreviver. Durante aquele período que ficáramos juntos, eu havia descoberto e redescoberto várias de meus dons, qualidades, defeitos….havia me redescoberto. E isso encheu-me de inspiração.

Passei a viver mais pleno. Havia um propósito – incompreensível, meio louco, diga-se de passagem –, o qual, somente após conhecer o pensamento de NH, pude compreender. Mas isso veio acontecer muito tempo depois.

Lembro-me que ainda deixei-a no campo de pouso, segura. De volta aos seus.

Mas eu não podia ficar mais ali. Apesar de saber disso, ainda voltei por duas vezes para reencontrá-la.

Na primeira, consegui. E meu espírito encheu-se de uma alegria que há muito não sentia. Perfume. Colar de marfim estampado em Lua.

Mas eu era um Astronauta. E assim era visto pelos que estavam ali ao seu redor. Perguntavam-me sobre minha vida “lá fora” e eu era obrigado a inventar mentiras, fantasias, para satisfazê-los. Ainda assim, retornei feliz ao espaço sideral.

Na segunda, não consegui. O sistema de comunicação ficara fora do ar o dia inteiro. E eu entendi a mensagem. Não devia mais fazer aquele tipo de contato. Mesmo sem notícias, algo me dizia o que estava acontecendo. Voltei, exausto, para o espaço.

E então descobri que precisava aproveitar, de alguma forma, toda aquela energia vital que me era transferida por aquele ser do Planeta que um dia eu habitara.

Aqui recomeça minha odisseia (que havia sido iniciada sem que eu tivesse conhecimento dessas explicações que caíram, como uma bomba, em meu colo…)

FOTO PAGINA LIVRO GENIALIDADE E SEXO

OS SENTIDOS E A SEMENTE – Uma fábula do tempo

Vai-se, forçadamente…

…esvaindo-se o perfume da memória (‘inda que possa ser sentido com o fechar dos olhos);

…apagando-se a imagem forte, sensível, simples da flor na tela do sertão (‘inda que possa ser ouvida como o vento passando por entre as folhas da alma);

…tornando-se distante o som de um riso feito de lua crescente de marfim (‘inda que possa ser sentido pelo toque no tempo);

E para que não precise inverter a função dos sentidos (fechar os olhos para sentir o cheiro que se vai; não precise ouvir a imagem que se apaga ou tocar o tempo para ouvir o riso que se distancia), simplesmente, giro o dial até encontrar uma daquelas estações que ficou gravada na memória do rádio do carro.

Assim, também não preciso voltar no tempo. Ao invés, levo o passado – suspenso – até o futuro, segurando-o pelas mãos, num giro, até levá-lo de volta ao tempo atrás. Fico no centro, como o eixo do ponteiro de um relógio, no presente, girando com ele, em volta de mim, leve, risonho, feliz, até que a tontura nos funda em um só momento, que não é nem passado, nem presente, nem futuro, mas a amálgama disso tudo: apenas como uma vertigem, que nos derruba no chão, com os sentidos misturados…como uma semente carregando o futuro dentro da fruta que carrega o passado…

tempo

(O Homem sem-tempo)