Não importa em que mãos esteja, a essência do poder sempre foi, é e será imutável. Por outro lado, as máscaras com que este se mostra ao seu pseudo-detentor – o povo – é que variam tão formidavelmente ao ponto de fazer com que esse acredite e comemore como suas as conquistas dos verdadeiros detentores e manipuladores daquele.
Irei, daqui há pouco, prestar um concurso. Mas a imagem que me vem a mente é a de alguém jogando centenas de cédulas falsas de dinheiro do alto de um hotel de luxo. Vejo as pessoas surpresas, alegres e desesperadas, disputando-as por entre os veículos em movimento, sendo algumas atropeladas por eles. Vejo que se violentam mutuamente agarrando-se às mesmas cédulas. Vejo-as ajoelhadas ao chão, com um monte de cédulas presas entre as mãos crispadas, elevando-as ao céu em sinal de agradecimento pelo milagre! Mas também vejo lá dentro do suntuoso hotel, na melhor das suítes, banqueteando-se dionisicamente, os escolhidos para quem as verdadeiras cédulas foram entregues antes.
Vejo o sorriso do Poder distribuindo os ilusórios prêmios. Uns mais efêmeros. Outros, menos.
Mas o Poder parece não saber que muitas pessoas não precisam desses tipos de benesses e que elas carregam dentro de si, a título de prêmio, as vitórias sobre si mesmas. Estas, sim, as verdadeiras cédulas.
Tais pessoas não se iludem (pelo menos não tão facilmente). E ainda que ameaçadas, não se curvam. E se lhes matam seus sonhos, eles ressurgem da dor, mais belos e mais fortes.
Com licença! Eu vou à luta! À minha luta!
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